A comunidade energética EfiDuero Energy, impulsionada pela AECT Duero-Douro, deu um passo decisivo na sua estratégia de coesão territorial com o início de um ciclo de jornadas informativas em Portugal. O Auditório do Centro de Interpretação do Mundo Rural de Mogadouro acolheu esta quarta-feira a primeira destas sessões, destinada a transmitir aos habitantes e representantes locais as chaves de um modelo energético que já é uma referência de sucesso no sul da Europa.

A abertura da jornada contou com uma destacada representação institucional, encabeçada por Antonio Pimentel, presidente da Câmara Municipal de Mogadouro; Victor Moreira, vice-presidente da AECT Duero-Douro; Conceição Meirinho, coordenadora territorial; e José Luis Pascual, diretor-geral da EfiDuero Energy.

À jornada assistiram representantes das Câmaras Municipais de Miranda do Douro, Mogadouro e Torre de Moncorvo; juntas de freguesia de Castro Vicente, Paradela, Azinhoso, São Martinho do Peso, Bemposta, Bruçó, Brunhoso, Meirinhos, Saldanha, Vilarinho dos Galegos, Urrós, Larinho; e União de Freguesias de Felgueiras e Maçores, União de Freguesias de Remondes e Soutelo e União das freguesias de Mogadouro, Valverde, Vale de Porco e Vilar de Rei.

Durante a sessão, José Luis Pascual explicou detalhadamente o funcionamento do mercado elétrico português e as vantagens do autoconsumo coletivo. O objetivo central é replicar o sucesso alcançado na vertente espanhola (províncias de Zamora e Salamanca), onde a comunidade já executou 300 instalações fotovoltaicas em mais de 50 municípios, permitindo que câmaras municipais, empresas e vizinhos giram a sua própria energia limpa.

Um modelo que atua como revulsivo territorial

EfiDuero Energy não se apresenta apenas como uma solução técnica de poupança, mas sim como uma ferramenta de resiliência face à despovoação. Ao constituir-se como uma comunidade energética local, devolve-se aos municípios a capacidade de decidir sobre os seus recursos. Num contexto onde o meio rural foi historicamente um cenário para a extração de energia por parte de grandes corporações, este modelo inverte a narrativa: a energia é produzida na aldeia, é gerida a partir da aldeia e o benefício económico permanece no território.

Este modelo não só transforma o consumo, como atua como um autêntico catalisador para o território através de três pilares fundamentais: em primeiro lugar, garante a independência energética, protegendo as famílias e empresas locais face à volatilidade dos mercados globais e melhorando a sua capacidade económica. Em segundo lugar, devolve a soberania à cidadania, permitindo que os vizinhos deixem de ser sujeitos passivos para se tornarem coproprietários da sua energia. Finalmente, o projeto funciona como um travão ao abandono rural, criando uma ‘ilha energética’ de baixo custo que converte estes municípios em destinos competitivos para viver e investir.

A comunidade energética já dispõe de instalações fotovoltaicas no concelho de Torre de Moncorvo, as quais se encontram em funcionamento há meses, e encontram-se em fase de execução nas freguesias de Picote e Miranda do Douro e na União de Freguesias de Remondes e Soutelo.

Próximos passos

A partir deste encontro, o pessoal técnico da comunidade energética iniciará uma ronda de reuniões individuais com os representantes das juntas de freguesia interessados em aderir à rede. O objetivo é avaliar a localização de novas centrais fotovoltaicas que permitam aos cidadãos portugueses assumir o controlo da sua fatura elétrica e avançar para uma transição energética justa e transfronteiriça.

Sobre a EfiDuero Energy

É a comunidade energética transfronteiriça de referência na União Europeia. Sob o lema #EnergiaParaOPovo, procura democratizar o acesso à energia renovável nas zonas rurais da Raia, transformando o sol num motor de desenvolvimento socioeconómico para o território. Recentemente, foi galardoada como «Melhor Comunidade Energética de 2025» pela Associação de Agências Espanholas de Gestão de Energia (EnerAgen).